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Amazonas mais vulnerável à mudança do clima

Escrito por Reginaldo Alves | Publicado: Quarta, 27 Setembro 2017 08:29 | Acessos: 267

Software SisVuClima apresenta 67 tipos de informações sobre municípios do Amazonas

 

Aumento de temperatura de até 5°C, redução de 25% no volume da precipitação total anual e elevação de 36% no número de dias seguidos sem chuva. Esses cenários climáticos associados a dados sobre saúde, população vegetação, ocorrência de eventos extremos e estruturas socioeconômicas, permitem definir quais municípios do estado do Amazonas estariam vulneráveis à mudança do clima. Este diagnóstico é feito a partir de uma inovação tecnológica, um software, intitulado Sistema de Vulnerabilidade Climática (SisVuClima), que gera mapas temáticos, tabelas e gráficos sobre os 62 municípios do Amazonas. Nos dias 27 e 28 de setembro, 25 gestores e técnicos do estado, participarão de uma capacitação sobre o SisVuClima, no Quality Hotel Manaus (Avenida Mário Ypiranga, 1090, Adrianópolis – Manaus).

A proposta da ferramenta é possibilitar o planejamento de ações a médio e longo prazo para reduzir os impactos das mudanças climáticas e aumentar a capacidade de adaptação da população a este novo cenário. O sistema é um produto do projeto Vulnerabilidade à Mudança do Clima, executado pela Fiocruz em parceria com o Ministério do Meio Ambiente.

 Desastre naturais e consequências

O SisVuClima gera 67 tipos de informações sobre os municípios amazonenses, incluindo dados sobre a ocorrência de desastres naturais. De acordo com a ferramenta, as porções sul e sudeste do estado seriam as mais impactadas para este indicador. O município de São Paulo de Olivença, por exemplo, seria o mais suscetível a lidar com deslizamentos decorrentes de fortes chuvas, enchentes, enxurradas, alagamentos, seca/estiagem e incêndios florestais. Boca do Acre, Canutama e Humaitá também seriam cidades mais vulneráveis a essas situações.

A região de Manaus tende a ser afetada por deslizamentos e inundações devido à elevada concentração populacional. Os impactos das mudanças climáticas podem dificultar o acesso à água potável, gerar insegurança alimentar e prejudicar a pesca, a agricultura e a pecuária, principalmente de subsistência. Especificamente para o Amazonas, as secas comprometeriam a navegação e, consequentemente, o abastecimento de água, alimentos e combustível.

 Pobreza e mudança do clima

Uma das análises feitas a partir do software se relaciona à pobreza, considerando o acesso da população a serviços de saúde, educação e qualidade de vida. Os municípios de Tapauá, Juruá, Santa Isabel do Rio Negro e Atalaia do Norte seriam os mais afetados ao se considerar este indicador, principalmente devido aos dados sobre mortalidade infantil, ao analfabetismo e à baixa renda. Tais fatores contribuem para uma vulnerabilidade elevada, tendo em vista que as populações residentes nessas cidades teriam mais dificuldades para lidar com os efeitos adversos do clima.

 Ferramenta inovadora

O SisVuClima é composto por três módulos: o cadastro de informações necessárias para o cálculo dos indicadores, a geração dos índices e subíndices e a visualização de resultados por meio de mapas temáticos e gráficos.  

O coordenador do projeto e pesquisador da Fiocruz, Ulisses Confalonieri, destaca que o software apresenta 67 tipos de dados sobre os municípios do Amazonas. “O sistema possibilita identificar qual parte do território está mais e menos vulnerável às alterações do clima e os mais aptos a se recuperar de possíveis impactos climáticos. Com essas informações, o gestor terá um instrumento para nortear suas ações e um critério quantitativo para dar prioridade às estratégias de atuação”, ressalta o pesquisador.

A ferramenta também foi desenvolvida para avaliar a vulnerabilidade dos municípios do Espírito Santo, Pernambuco, Paraná, Maranhão e Mato Grosso do Sul. Na capacitação do Amazonas, participarão representantes das seguintes instituições: Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA); Secretaria de Estado de Saúde (SUSAM); Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEPLAN – CTI); Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); Instituto Leônidas e Maria Deane – Fiocruz Amazônia; Universidade Federal do Amazonas (UFAM); Fundação Nacional de Saúde (FUNASA); Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS – AM); Defesa Civil; Fundação Amazonas Sustentável; Fundação Vitória Amazônica e Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (IDESAM).

 

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