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Paraná mais vulnerável à mudança do clima
Pesquisa inédita mapeia vulnerabilidade de 399 municípios paranaenses à mudança do clima

O Paraná poderá apresentar dias mais secos e mais quentes nos próximos 25 anos. De acordo com as projeções feitas, a região nordeste do estado poderá ter um aumento de até 5,6°C na temperatura e uma diminuição de 18% no volume de chuvas. Os dados são de um estudo inédito, que avaliou a vulnerabilidade de 399 municípios paranaenses à mudança do clima. A pesquisa coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) faz parte do projeto Vulnerabilidade à Mudança do Clima, feito em parceria com o Ministério do Meio Ambiente.
A apresentação dos resultados sobre a pesquisa ocorreu durante o Seminário Indicadores de Vulnerabilidade à Mudança do Clima, realizado de 9 às 17h, no Hotel Bristol Brasil 500, no dia 11 de outubro, em Curitiba – PR. Para o coordenador do projeto, Ulisses Confalonieri, a pesquisa desenvolvida será muito útil para a administração estadual. “Por meio do estudo e da criação de uma ferramenta, um software, gestores poderão identificar quais cidades estarão mais e menos vulnerável às alterações do clima e as mais aptas a se recuperarem de possíveis impactos climáticos”, avalia o pesquisador.
Mais calor e menos chuvas

O estudo feito sobre os municípios paranaenses aponta que as populações que vivem no norte do estado, possivelmente terão que lidar com o aumento da temperatura que poderá subir até 5°C nos próximos 25 anos. Em municípios como Jardim Olinda, São João do Caiuá e Alvorada do Sul essa elevação pode chegar a 5,6°C em relação ao período atual.
O norte do Paraná também poderá ser a região mais impactada pela diminuição no volume de chuvas. Os destaques são os municípios de Alvorada do Sul com uma redução de 17% e Porecatu com uma queda de 18% para os períodos de estiagem. A situação é diferente nas regiões sul e sudeste do estado, onde poderá ocorrer um aumento na precipitação. Por exemplo, a cidade de General Carneiro poderá ter 20% de acréscimo na pluviosidade e Palmas poderá ter 18%.
Segundo as projeções feitas, a região sudeste do estado poderá ser a mais afetada em relação ao número de dias secos consecutivos no ano, índice chamado de CDD. As cidades de Pontal do Paraná e Matinhos, por exemplo, apresentaram os CDDs mais elevados, com um aumento de dias seguidos sem chuva de até 43% e 40%, respectivamente.
Mudança do clima em Curitiba
Na capital paranaense e região metropolitana, a temperatura poderá aumentar mais de 3°C no período de 2041 a 2070. Essa elevação também ocorrerá no número de dias seguidos sem chuva, que pode chegar até 30%. No entanto, a precipitação se mantém quase a mesma ao ser comparada com a atualidade, apresentando um incremento de até 2%. Esse cenário ocorre por causa da concentração do volume de chuvas em espaços curtos de tempo, possibilitando o aumento de eventos extremos de origem meteorológica e doenças associadas ao clima.
Consequências para o estado

As previsões feitas na pesquisa indicam impactos diretos nos municípios paranaenses. Dentre eles, está a proliferação de vetores, como o Aedes Aegypti e, consequentemente, o aumento no número de doenças por causa da elevação da temperatura.
Outra consequência apontada é a possível diminuição da biodiversidade, em virtude das alterações no ciclo reprodutivo de plantas e animais. Também é importante destacar os efeitos da mudança do clima na agricultura, principalmente nas áreas que, no futuro, estarão mais quentes e com menos chuva.